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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Ecumenismo - Vaticano II a grande guinada (Conclusão)

O Concílio Vaticano II foi a grande guinada no pensamento católico com relação à unidade de todos os cristãos. O anúncio da realização do Concílio feito pelo Papa João  em janeiro de 1959 apresentou seus objetivos quando falou de um aggiornamento, ou seja, uma renovação na Igreja.
Em 1960 é criado o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos. E a partir da 3ª assembleia do CMI realizada na Índia, os observadores oficiais da Igreja passaram a participar e a grande mudança aconteceu em 1964 com a promulgação do Decreto Conciliar sobre ecumenismo Unitatis Redintegratio, pelo Papa Paulo VI .
A diferença desse Concílio para os anteriores com relação aos cristãos não católicos foi o tratamento dado pelo Papa João XXIII, quando convidou estas Igrejas para participarem do Concílio como irmãs ligadas a fé em Cristo. Vieram como hospedes do Papa e o resultado foi um sucesso, estiveram presentes 17 Igrejas de denominações diferentes.
Graças a esse novo agir da Igreja neste Concílio a questão do movimento ecumênico foi tratada de maneira inovadora, e podemos ver essa realidade no modo como o Vaticano II entendeu esta realidade quando afirma que o movimentos ecumênicos são “as atividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos” (UR 4), podemos considerar a eclesiologia do Vaticano II uma eclesiologia de comunhão.

Graças ao Vaticano II surgem os frutos, em 1982 dá-se início concomitantemente o CLAI (Conselho Latino-Americano de Igrejas) e o CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) no Brasil. O CONIC hoje conta com a participação de seis Igrejas sendo elas:
• Igreja Católica Ortodoxa
• Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
• Igreja Presbiteriana Unida
• Igreja Episcopal Anglicana
• Igreja Cristã Reformada
• Igreja Católica Romana

É o CONIC que promove um evento que é fundamental para o espírito ecumênico: A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que vai do domingo da Ascensão até o domingo de Pentecostes.

Fundamentos que nos unem

A base da unidade dos cristãos é o Batismo, isso significa que podemos aplicar aos cristãos não católicos o que o Catecismo da Igreja Católica diz sobre o batismo.
• O batismo nos faz membros do corpo de Cristo e membros uns dos outros.
• Os batizados participam do sacerdócio de Cristo, de sua missão profética e régia.
• A Trindade dá ao batizado a graça santificante, concede-lhe o poder de viver e agir sob a moção do      Espírito Santo.
• Das fontes batismais nasce o único povo de Deus.

Como não é possível fazer uma lista de Igrejas em que podemos considerar válido o batismo, existem algumas exigências para o reconhecimento do Batismo.
Que seja feito com água e que a Igreja manifeste a fé na Trindade e batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Pecados contra o ecumenismo

• Desconhecimento da doutrina da Igreja sobre o assunto. Devemos levar em consideração que a promulgação do decreto conciliar sobre ecumenismo foi há quase 50 anos e por isso os cristãos católicos devem conhecê-lo, além de inúmeros documentos da Igreja que trabalham o ecumenismo.
• Preconceitos criados ao longo da história em que muitos cristãos católicos evitam a aproximação dos irmãos de outra denominação cristã.
• Julgar uma Igreja pelo comportamento de alguns membros. Estamos sempre prontos a dizer que o (a) fulano (a) que fez errado representa toda Igreja, e isso não é verdade, caso quando um de nós erramos, a Igreja toda esta errada?
• Aprender sobre a doutrina para debater com irmãos separados.
• Negar a própria identidade para ser simpático. Só quem tem bem definida a identidade pode oferecer uma contribuição ao diálogo.

Problemas que podem acontecer


Lidamos com seres humanos e com certeza iremos esbarrar nos seus limites, exemplo:
• Contra aqueles que não querem ser ecumênicos
Existe grupo de denominações cristãs que nos acusam de idolatria e condena as práticas católicas. Diante deles não podemos agir com reciprocidade, ou seja, atacá-los da mesma forma, mas o melhor é tratar bem, usar de serenidade, maturidade, paciência que são a essência da caridade. Agindo assim estamos evangelizando.
• Nos pontos divergentes na doutrina
Se ecumenismo é a busca da unidade por meio do diálogo e essas divergências ocorrem o que cabe a nós é simplesmente orarmos pela unidade, superar preconceitos e amar, pois a plena unidade visível das Igrejas Cristãs acontecerá quando todos nós deixarmos o Espírito Santo agir.

Conclusão

Perpassamos elementos importantes, como a compreensão eclesiológica, o significado do termo ecumênico e o avanço dado pela Igreja com relação a a realidade eclesial após o Concílio Vaticano II.
Podemos concluir que o movimento ecumênico é uma esperança de unidade institucional das Igrejas e que neste contexto de unidade a eclesiologia de comunhão do Vaticano II é um ponto de convergência para as outras denominações cristãs.
Nesse modelo, a comunhão não é legitimação da divisão existente, mas o reconhecimento recíproco na Palavra de Deus, no sacramento e no serviço. Entretanto, esse modelo pode determinar as relações ecumênicas das Igrejas tendo como finalidade uma comunhão de Igrejas, em que cada uma dessas Igrejas possa se realizar no sentido pleno de ser Igreja.
Ecumenismo não é de forma alguma um resultado sincretista, mas um movimento suscitado pelo Espírito Santo com vista de restabelecer a unidade dos cristãos, afim de que o mundo creia em Jesus Cristo.
E podemos ir além, dizendo que o ecumenismo é uma atitude da mente e do coração que nos impele a olhar nossos irmãos cristão separados com repeito, compreensão e esperança, é um esforço do amor cristão no sentido de dar e receber testemunho do Evangelho.


Bibliografia

ANTONIO DE SOUZA, Rui; Mundo Jovem, nº 343, fevereiro de 2004, p.19.

BESEN, José Artulino, O universo religioso: as grandes religiões e tendências religiosas atuais, São Paulo: Editora Mundo e Missão, 2008.

ALMEIDA, Antonio José de, Sois um em Cristo Jesus, São Paulo; paulinas, Valência, SP; Siquem, 2004. (Coleção livros básicos de teologia; 8.1).

TEIXEIRA, Faustino; MOTA DIAS, Zwinglio; Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso; Aparecida, SP: Editora Santuário, 2008.

CATECISMO da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

DEI VERBUM, 16ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2009.

JOÃO PAULO II Carta encíclica “Ut unum sint” do santo padre João Paulo II sobre o empenho ecumênico. 2ª Ed. São Paulo: Paulinas, 1995.

Leia também:

Ecumenismo, eclesiologia de comunhão (1ª parte)
O significado do termo ecumênico (2ª parte)
Fé, resposta humana a Deus











quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O significado do termo ecumênico (2ª parte)

A palavra ecumênico vem do termo grego oikoumene que significa mundo habitado, porém, no processo histórico a palavra vai sofrendo transformações no seu significado.
Este termo começa a ser usado no final do século IV a.C., e o primeiro conceito está relacionado ao sentido geográfico referindo-se a todo mundo helenizado, ou seja, todo território conquistado por Alexandre Magno era a oikoumene[1].

Mas logo o sentido da palavra começa a ser usado para designar o homem helenizado, isto é, devido as conquistas de Alexandre abarcar diversas culturas surge a necessidade de dar unidade ao império grego, é neste contexto que  nasce ideal do homem helênico, dando origem a oposição entre o homem helênico considerado culto, civilizado ao bárbaro tido como o ignorante, desta forma o ignorante estava além das fronteiras da oikoumene, é deste contexto que resulta o sentido cultural da palavra[2].
Com a queda do Império grego os Romanos começaram a expandir seus territórios e impor sua forma de governar  sobre as terras conquistadas, a partir daí o termo oikoumene adquiri um sentido político complementando o significado do termo usado pelos gregos.
No século IV d.C., a palavra oikoumene é introduzida na literatura eclesiástica, o Concílio de Constantinopla (381 d. C.) refere-se ao Concílio de Nicéia (325 D.C.) como concílio ecumênico, e a partir deste momento a palavra passa designar as doutrinas da Igreja dotadas de validade universal, é nesse sentido que o termo adquire sentido eclesiástico.
A dimensão religiosa do termo vai surgir no século XVII d.C., após a Reforma Protestante. Os conflitos entre os cristãos protestantes e católicos causavam terror devido a grande violência, diante de tal situação, no desejo de buscar uma iniciativa para a solução destes conflitos o matemático e físico luterano João Guilherme Leibniz mantém contato por cartas com Bossuet, bispo de Meaux na França e foi através destas correspondências que a palavra ecumênico adquiriu dimensão religiosa apontando para a universalidade da Igreja de Cristo, um só Senhor e um só rebanho[3].
Após a análise do significado da palavra ecumênico é pertinente saber que a origem do movimento ecumênico é protestante, depois  terá a participação das Igrejas Ortodoxas e após o Concílio Vaticano II contará com a colaboração da Igreja Católica Romana.
O movimento Ecumênico surge em meados do século XIX, em torno de três eixos vitais da vivência cristã: a missão, a ação e a doutrina. Essas realidades tendem a unificação dos missionários cristãos protestantes.
O movimento vai começar em forma de conferências e para manter a continuidade e assegurar as decisões das conferências surgem às comissões[4].
A conferência de 1900 em Nova York intitulou-se ecumênica devido seus membros buscarem uma evangelização que visava alcançar o mundo todo.       
Esta conferência vai ser o  ponta pé inicial para a conferência de Edimburgo em 1910, onde foram trabalhados temas como Evangelho no mundo, mensagem missionária e religiões não cristãs. Em Edimburgo o termo ecumênico não foi utilizado pelo fato de haver somente protestantes.
Também não houve  a participação  dos protestantes latino-americanos na conferência de Edimburgo devido seus promotores acharem que a America latina já estava evangelizada pelos católicos, isso contrariou os missionários latinos e em reação a esta conferência em 1916 realizaram um Congresso Missionário no Panamá.
A conferência de Edimburgo resulta no Conselho Missionário Internacional criado em 1921 e a partir daí surgi diversas conferências com a mesma temática da Missão e Unidade[5].
Em 1920 depois da 6ª Conferência de Lambeth, os anglicanos reformulam o artigo quatro, relacionado ao episcopado histórico para a aceitação das Igrejas não episcopais, isso porque os Anglicanos tinham uma atenção particular sobre a doutrina de base comum.
Os ortodoxos no início do século XX entre os anos 1902 e 1904 vão mostrar-se interessados no movimento ecumênico protestante e o Patriarca de Constantinopla se mostra a favor de  uma colaboração com as Igrejas não ortodoxas.
Em 1920, o Patriarcado de Constantinopla propõe uma “Liga das Igrejas”. Esse desejo de unidade manifestado pelos ortodoxos foi vital para passarem a participar das diferentes atividades com os cristãos não ortodoxos e resultou  em 1961 na participação como membros da CMI.[6].
Com o fim da II Guerra mundial, o mundo vivia um pós-guerra, a vida social e econômica estava dilacerada, por isso, a ação conjunta dos cristãos para a solução desses problemas era essencial.
Em 1948 diversos movimentos unem-se  e formam o Conselho Mundial das Igrejas (CMI), esta decisão se deu na conferência de Amsterdam (Holanda). Nesta conferência estavam presentes 147 Igrejas Protestantes, Anglicanas e Ortodoxas que aceitaram se reunir sob a seguinte base comum: “O Conselho Mundial das Igrejas é uma associação fraterna de Igrejas que aceitam nosso Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador” [7].
Até esse momento a Igreja Católica se mantém afastada oficialmente, mas em 1949 com o documento Santo Ofício intitulado Ecclesia Sancta, demonstra o desejo de mudança. Nesse documento a Igreja Católica reconhece os esforços ecumênicos das demais Igrejas. A grande mudança estava ainda por vir, com o Papa João XXIII[8].



[1] TEIXEIRA, Faustino; MOTA DIAS, Zwinglio; Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso; Aparecida, SP: Editora Santuário, 2008. p 23.
[2] Ibid. p. 25
[3] Ibid. p.27.
[4] Ibid, p.28.
[5] TEIXEIRA, Faustino; MOTA DIAS, Zwinglio; Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso; Aparecida, SP: Editora Santuário, 2008. p. 29.
[6] Ibid, p. 33.
[7] Ibid, p. 36.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ecumenismo, eclesiologia de comunhão (1ª parte)

O Diálogo

A vida humana possui por natureza uma tendência natural  para a pluralidade, cada individuo é único e esta 
 pluralidade presente no gênero humano se estende às crenças religiosas  compondo um verdadeiro universo religioso[1].
Hoje, há um aumento da consciência de reconciliação e diálogo entre as religiões, esta atitude é  fundamental para que a paz no mundo possa ser visível, inclusive no cristianismo.
Para os cristãos católicos a compreensão e a prática da eclesiologia de comunhão nos conduzem ao diálogo ecumênico. A relação com os irmãos e irmãs batizados de outras Igrejas e comunidades eclesiais é um caminho irrenunciável para o discípulo missionário, pois a falta de unidade representa um escândalo, um pecado e um atraso do cumprimento do desejo de Cristo. (DAp 227).
Na Conferência de Aparecida, a Igreja quando se refere ao ecumenismo, destaca o diálogo como parte de uma eclesiologia de comunhão, por isso o caminho indispensável do discípulo missionário é o diálogo,  este é grande desafio para que o ecumenismo de fato aconteça.
O fundamento do diálogo  esta na constatação de que existem ideias e ações diferentes originando  o pluralismo que não é algo negativo, mas leva ao crescimento a relação humana, pois, o processo de diálogo é uma forma de educar as pessoas, levando-as a conhecer mais a si e aos outros.
Para o diálogo, se pressupõe que o sujeito saiba quem ele é, qual a sua identidade e qual a identidade da igreja que pertence e inclusive saber o que é ser  Igreja. Sabendo isso, pode-se estabelecer a base para o diálogo transparente e verdadeiro com o outro. O diálogo ecumênico deve ter a atitude de acolhimento do outro e também o firmamento dos alicerces daquilo que se é e do que se crê.
Não existe diálogo sem escuta, sem sair de si mesmo e nem sem o desejo de comunhão[2].     
                                                                                                                                                                                          Compreensão Eclesiológica

 Um fator importante para o diálogo é o cristão ter  um conhecimento básico de eclesiologia, devido esta compreensão ser fundamental no caminho para o ecumenismo.
O primeiro passo para uma autocompreensão de Igreja  é saber que a Igreja dá-se a conhecer em duas dimensões:
No âmbito empírico; conhecimento  que  dá ao cristão capacidade de captar a Igreja como um dado de fato, uma instituição com uma estrutura organizativa  e com uma história concreta.
No âmbito normativo; conhecimento que vai além dos dados concretos e históricos, seria uma olhar “interior”, que é o olhar da própria fé que remete a um horizonte, um projeto, realidades que tornam o cristão envolvido e comprometido[3].
Ainda no âmbito normativo, no CAT a Igreja aparece antes da Igreja, ou seja, na vontade soberana do Pai e vista como a razão da criação veja:

O Pai eterno, por libérrimo e arcano desígnio de sua sabedoria e bondade, criou o universo; decidiu elevar os homens à comunhão da vida divina, à qual chama todos os homens em seu Filho: “Todos os que creem em Cristo, o Pai quis chamá-los a formarem a santa Igreja”. Esta “família de Deus” se constitui e se realiza gradativamente ao longo das etapas da história humana, segundo as disposições do Pai. Com efeito, “desde a origem do mundo a Igreja foi prefigurada”. Foi admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga Aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito. E no fim dos tempos será gloriosamente consumada. (CAT. 759)

A Igreja foi prefigurada desde a origem do mundo pois, Deus criou todo o universo por amor e em vista de elevar o homem  a comunhão divina convoca todos os homens em Cristo[4]  esta convocação é a Igreja[5]. Com o pecado a comunhão entre os homens e Deus é rompida e  mesmo assim Ele não dá as costas ao  ser humano e mantém sua relação amorosa  percebida na história através da antiga Aliança, iniciada com a vocação de Abraão e a eleição de Israel como sinal de preparação da reconciliação futura entre todas as nações. Diante da infidelidade de Israel à antiga Aliança, Cristo institui a nova e eterna Aliança dando cumprimento a palavra dos profetas[6].O Filho na encarnação realiza em sua missão o plano salvífico do Pai por meio  da pregação do advento do Reino de Deus[7].  O início deste seu Reino se dá pelo pequeno  rebanho constituído por Doze homens convocados em torno de si, a qual é ele o Pastor[8].
Esses Doze representados por Pedro são pedras de fundação para sua Igreja, eles participam da missão de Cristo, que é realizar o plano de Salvação de seu Pai, é a partir da escolha dos Doze que Cristo prepara e constrói sua Igreja[9].
Esta Igreja por ser “convocação” de todos os homens para a salvação, é por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os homens e para realizar sua missão, é o Espírito Santo que a fortalece e conduz por meio da sua diversidade de dons e carismas[10]. Sendo a Igreja instrumento de Cristo, ela torna-se instrumento da Redenção e sacramento universal da Salvação.
Além dessa realidade missionária dentro da compreensão eclesiológica está a expressão “Igreja Una” que significada uma só Igreja de Cristo. Esta compreensão de Igreja existe também entre os ortodoxos, anglicanos e evangélicos.
A unicidade da Igreja se dá pelo fato de haver um só Deus e por isso um único povo de Deus, um único rebanho, da qual Cristo é o único Pastor, o único mediador, por isso ele é cabeça do único corpo que é a Igreja.
A unidade é um segundo significado da expressão “Igreja una”, esta unidade se dá por meio da coesão espiritual dentre seus membros no único povo de Deus, por isso a Igreja é indivisa em si mesma.
Este fundamento da unidade e unicidade da Igreja de Deus tem como modelo a Trindade, Deus uno e trino, e a unidade dos cristãos é criada à imagem e semelhança da Trindade[11] que é um único Deus em três pessoas distintas entre si por suas relações de origem, porém a distinção das pessoas da trindade reside unicamente nas relações que as referem uma às outras, contudo, as pessoas da trindade não se dividem entre si, mas cada uma delas é Deus por inteiro.[12]
A unidade da Igreja se manifesta na sua diversidade sem eliminar as diferenças, buscando sempre o respeito e a promoção tendo como base o modelo trinitário[13].
A exigência desta unidade é manifestada visivelmente em At 2,42-47, nesta passagem se fundamenta a doutrina eclesiológica da tríplice comunhão.
- A comunhão na profissão de fé (ensinamento dos apóstolos).
- A comunhão no culto divino.
- A comunhão fraterna.
A unidade da Igreja é, portanto, uma unidade de fé, de culto e vida social[14].
A busca da unidade cristã dentro da história do cristianismo sempre se fez presente a fim de manter os cristãos na fidelidade do Evangelho, portanto, é essencialmente cristão esse desejo de um testemunho comum da mensagem evangélica.
Sabe-se que desde os primeiros séculos da história do cristianismo divergências e debates aconteceram,  mesmo diante situações de conflitos, crises e divisões não deixou de haver o esforço de reconciliação no meio cristão.
Porém, não foi possível evitar as duas grandes cisões da Igreja, a primeira em 1054 com a Igreja Oriental e a segunda em 1517 pelos reformadores protestantes. Com isso tem-se  quebrada a unidade da Igreja e hoje há a necessidade de restabelecer à comunhão.
A partir do Concílio Vaticano II a consciência de ecumenismo mostrou o tamanho da exigência dessa realidade entre os cristãos, o próprio concílio reconheceu-se culpado da  quebra da unidade,  o papa João Paulo II relembrou o que disse o Vaticano II, “é um escândalo  para o mundo a divisão entre os cristãos”[15].
Para entendermos e vivenciarmos essa necessidade entre os cristãos  é necessário saber o que é ecumenismo? De onde vem essa expressão? O que o concílio vaticano II nos propõe?
                      



[1] ANTONIO DE SOUZA, Rui; Mundo Jovem, nº 343, fevereiro de 2004, p.19.
[2] BESEN, José Artulino, O universo religioso: as grandes religiões e tendências religiosas atuais, São Paulo: Editora Mundo e Missão, 2008.p.215 e 216.
[3] ALMEIDA, Antonio José de, Sois um em Cristo Jesus, São Paulo; paulinas, Valência, SP; Siquem, 2004. (Coleção livros básicos de teologia; 8,1) p.13.
[4] Cf. CAT. 759.
[5] Cf. CAT. 760.
[6] Cf. CAT. 762.
[7] Cf. CAT. 763.
[8] Cf. CAT 764.
[9]Cf. CAT 765.
[10] Cf. CAT 768.
[11] ALMEIDA, Antonio José de, Sois um em Cristo Jesus, São Paulo; paulinas, Valência, SP; Siquem, 2004. (Coleção livros básicos de teologia; 8,1) p.43.
[12] Cf. CAT. 253 e 255
[13] Ibid., p.43.
[14] Ibid., p.44.
[15] JOÃO PAULO II Carta encíclica “Ut unum sint” do santo padre João Paulo II sobre o empenho ecumênico. 2ª Ed. São Paulo: Paulinas, 1995.nº 5.

Abreviaturas: CAT (Catecismo da Igreja Católica)

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

V Simpósio de Formação Ecumênica recebe inscrições


Oferecer uma compreensão dos aspectos determinantes do pluralismo eclesial e religioso no Brasil é um dos objetivos do V Simpósio de Formação Ecumênica e XVI Encontro de Professores de Ecumenismo, que serão realizados, simultaneamente, entre os dias 17 e 19 de janeiro de 2014, em São Paulo. O evento é organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, com o propósito de capacitar agentes de pastoral. O tema será os “50 anos de Unitatis Redintegratio, Nostra Aetate, Dignitatis Humanae”.
De acordo com o assessor da comissão, padre Elias Wolff, “a realização do seminário se justifica pela necessidade de aprofundar a compreensão das orientações do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, para favorecer atitudes de encontro, diálogo e cooperação entre igrejas e religiões”.
Os interessados em participar devem informar os dados: Nome, Igreja, Instituição / Função, Endereço, Bairro, CEP, Telefone, E-mail e enviar para  ecumenismo@cnbb.org.br.



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Diálogo inter-religioso

Créditos: Redação com a CNBB
O presidente e o secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, respectivamente, cardeal Jean-Louis Tauran e padre Miguel Ángel Ayuso Guixot, divulgaram o livro “O diálogo inter-religioso no ensinamento da Igreja Católica”, de autoria do bispo Francesco Gioia, que também esteve presente no evento. O lançamento ocorreu hoje, 12, na Sala de Imprensa da Santa Sé.
O livro apresenta, tanto aos fiéis católicos como aos seguidores de outras religiões, o pensamento oficial da Igreja, segundo o espírito da “Nostra Aetate”, documento elaborado durante o Concílio Vaticano II que fala sobre a aproximação da Igreja Católica com outras religiões, a fim de promover o diálogo e a mútua colaboração.
O volume, que contém mais de duas mil páginas, compreende uma coleção de textos conciliares, encíclicas, exortações apostólicas e discursos proferidos desde o pontificado de João XXIII a Bento XVI. Também há documentos dos setores da Cúria Romana relativos ao diálogo inter-religioso. Ao todo, são 909 documentos dos quais sete são conciliares. Segundo o cardeal Tauran, o livro oferece fácil acesso ao método e aos fundamentos teológicos do diálogo inter-religioso ensinado e praticado no Magistério da Igreja Católica.
“A novidade consiste na coleção de textos de Bento XVI, cuja contribuição foi decisiva. Em sete anos de pontificado, se contam 188 discursos de Bento XVI sobre o diálogo inter-religioso se comparado aos 591 do papa João Paulo II em mais de um quarto de século”, explica. “A atenção a este problema foi constante e crescente nos dois pontificados. Bento XVI propôs o ‘diálogo da caridade na verdade’. Um ano depois do discurso de Ratisbona, 38 muçulmanos eruditos escreveram ao papa um documento que expôs os princípios do Islã e manifestava o desejo da compreensão mútua e de uma relação entre o Islã e o cristianismo baseada no amor de Deus e ao próximo. O resultado da iniciativa foi a criação de um Foro islâmico-cristão, que continua a existir na atualidade”, acrescentou o cardeal.

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