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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A memória do Concílio Vaticano II



Este texto do Líbanio praticamente tem 3 anos, porém, é muito atual, e nos ajuda a enxergar o quão bem fez o Concílio Vaticano II para a Igreja.


A memória do Concílio Vaticano II

O olhar do teólogo
A memória do Concílio Vaticano II
J. B. Libanio
Jornal de Opinião – Janeiro de 2011

                   A década de 60 saudou o Concílio Vaticano II com inúmeros títulos. Um pensador francês chamou-o: Fim da Cristandade. Tal afirmação significava o corte que o Concílio trouxe em relação à cultura. Até então a Igreja se tinha enclausurado no templo medieval onde ela ditava toda a cultura, desde a arquitetura gótica passando pela música gregoriana até a política clerical. Gregório VII encarnara tal ideal com o famoso dictatus papae (1075) em que afirmava o absoluto domínio político da Igreja sobre o poder temporal. A teologia se autodenominava “rainha das ciências” e traçava os limites de pesquisa e de verdade para as outras ciências.
                   Mais de quatro séculos já vinham minando o edifício eclesiástico, embora muitos de seus moradores não se dessem conta. O Concílio Vaticano II resolveu resolutamente enfrentar tal defasagem cultural e buscar reconciliar-se com o mundo moderno nos diversos campos, desde a vida litúrgica passando pela renovação dogmática até as relações com a sociedade. Ingente labor! Corajoso empreendimento!
                   Naqueles idos, o jornal comunista italiano L´Unità interpelou os seus correligionários desafiando-os a fazer autocrítica semelhante à que empreendera a Igreja católica. Mostrava admiração pela sua coragem. E os comunistas não a realizaram. Pagaram caro com o desmoronamento de seu sistema no final da década de 80, enquanto a Igreja, como instituição, prossegue a caminhada.
                   Olhando para o percurso desses quase 50 anos, temos muito que agradecer a Deus pela coragem e dinamismo de tantos e tantos cristãos, desde os simples fiéis até aqueles que assumem responsabilidades de governo.
                   Numerosas maravilhas vivemos no campo da liturgia. Quem conheceu o formalismo, o alheamento dos fieis nas celebrações, a figura isolada do sacerdote, de costas, falando um latim ininteligível e participa hoje de liturgia vibrante de vida, exclama: que milagre!
                   O próprio vocabulário reflete a mudança. Antes se assistia à missa. Hoje se participa da celebração eucarística. O verbo e o substantivo apontam para a diferença. Quem assiste comporta-se passivamente. Quem participa, atua. Quem diz missa, pensa num rito pronto. Quem fala de celebração eucarística, entende-se envolvido num momento de vida.
                   Se estendemos o olhar mais longe, vislumbramos o relançamento do movimento ecumênico, percebemos iniciativas no campo do diálogo com as outras tradições religiosas. Não faltou ao Concílio a coragem de enfrentar o problema do ateísmo. Encontrou pontos de encontro com os ateus nas práticas de justiça, de libertação. K. Rahner, um dos maiores teólogos do Concílio, não hesitou em discernir, em muitos ateus, comportamentos verdadeiramente dignos de um cristão a ponto de chamá-los de “cristão anônimo”.

                   Que dizer do encontro da teologia com as ciências modernas, reconhecendo-lhes justa autonomia e debatendo com elas questões difíceis e espinhosas? Não menor revolução aconteceu no campo da política, enfrentando a convivência com os regimes democráticos da modernidade. Que a sua memória nos anime a continuar-lhe a façanha grandiosa de aggiornamento, como dizia João XXIII.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Trindade

Creditos: redação com Ed Rocha

A Santíssima Trindade[1]

Deus é Trino eternamente porque esta é a sua natureza.

O Pai que gera o Filho unigênito e o Espírito procedente são de mesma substância, co-onipotentes e co-eternos, perfeitamente iguais. Este é o mistério da Santíssima Trindade que é o mistério central de nossa fé.
O mistério da Trindade nos foi revelado na economia da salvação, principalmente por meio de Cristo o enviado do Pai ao mundo que juntamente com o Pai envia o Espirito Santo para vivificar o povo de Deus.
No decorrer da história da Igreja houve a busca pela sistematização trinitária. Na tentativa de formular mais corretamente a sua compreensão evitando dessa forma heresias, surgem o termos técnicos que buscam sempre um rigor maior para expressar sem erros a verdade de Deus uno e trino.
No processo histórico dessas formulações podemos distinguir três grandes tendências de sistematização.
O primeiro ambiente de sistematização é o politeísta. Para não cair no erro de redução da Trindade a três deuses, foca-se na unidade de Deus. Deus uno, um só Deus por natureza.
O segundo ambiente é o do monoteísmo na qual há insistência de uma monarquia absoluta a ponto de negar a divindade de Jesus, a reflexão é focada na diversidade em Deus, insiste-se na Trindade e nas Pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo); a partir da diversidade chega-se à unidade.
Em um ambiente mais recente onde existe a predominância do individualismo, a ausência de comunhão a reflexão centraliza-se na relação entre as Pessoas da Trindade, voltando-se para comunhão como princípio fundamental em Deus e de todos os seres criados a sua imagem e semelhança.
Com relação a unidade da  Trindade o Símbolo de Fé niceno-constantinopolitano que resultou dos dois primeiros Concílios ecumênicos (325 e 381) foi expressa a fórmula " Creio em um só Deus..." que está centrada na unidade de Deus, superando a multiplicidade dos deuses existente no politeísmo.
Ao rezar esta fórmula o fiel se dirige a um mistério supremo, pessoal, espiritual, um único Senhor do céu e da Terra, princípio único.
Para chegar a essa compreensão de unidade na Trindade foi necessário deixar para trás o entendimento das Pessoas como modalidades de expressão do mesmo e único Deus denominado modalismo e do subordinacionismo advindo do arianismo que afirmava que Cristo veio do nada e o Concílio de Niceia confessa que o Filho de Deus é "gerado, não criado, consubstancial ao Pai".

Paz e Bem!

Ed Rocha

[1] CATÃO, Francisco. A trindade: uma aventura teológica. São Paulo: Paulinas, 2000.

Leia também:





  • A Revelação se dá por palavras e acontecimentos





  • Ídolos, construção humana





  • Empapados em Cristo







  • O Filho Redentor

    Créditos: postado por Ed Rocha

    O Credo Niceno- Constantinopolitano faz duas afirmações fundamentais sobre a Pessoa do Filho.
    O Filho é gerado, por isso é Deus, porém se distingue por ser Filho, então o Filho não é o Pai.
    A outra afirmação é sobre a consubstancialidade que salvaguarda a unidade de Deus, ou seja, o Filho não é outro Deus, mas pela comunhão na mesma substância é o único Deus, enfatiza-se a interpenetração de Pai e Filho, o Pai não existe sem o Filho, nem o Filho existe sem o Pai, por isso, por mútua exigência são único Deus.
    Ao olhar para o Jesus histórico, diversos estudiosos afirmaram que os títulos de identificação atribuídos a Jesus é de origem pós-pascal, pois, não era a intenção de Jesus apresentar-se como Messias libertador, e nem como Filho eterno, mas o seu agir é pautado na força libertadora no qual Ele assume a liberdade própria de quem fala em nome de Deus e se entende como vindo da parte de Deus.
    Neste sentido a ressurreição torna-se a evidência do Mistério de Jesus, em que se pode justificar as afirmações sobre seu ser.
    Nisso vemos o Filho, Verbo que revela o Pai, pois, quanto Palavra comunica a verdade do Pai, mesmo vindo do Pai o Filho é distinto dele.
    A ressurreição torna concreta a glorificação de Cristo, contudo temos em Cristo a esperança da ressurreição. Mesmo que o pecado ainda oculte a glória do Pai que está manifesta no Verbo encarnado, crucificado e ressuscitado, na medida em que o Reino de Deus vai se instaurando, todos os seres vão resgatando sua filiação, nisso quando toda a criação estiver participando da comunhão divina e resgatada  a sua filiação então teremos o triunfo do Reino de Deus.

    Paz e bem!


    A economia do Pai

    Creditos: postado por Ed Rocha

    Como o Pai aparece como Pai na criação?
    Temos que entender que economia é o processo de atuação do Pai na Criação e Salvação dos homens.
    O Pai é princípio de tudo o que existe, é a origem inacessível. A criação é fruto do amor do Pai para com o Filho. No Filho é projetado todos os filhos e filhas.
    No interior da Trindade a criação já aparece eternamente pensada e amada pelo Pai no próprio ato de pensar e amar o Filho.
    A criação é uma expressão da vida intima e pericorética de Deus, é fruto do amor na qual Deus quer auto-comunicar-se , estar em comunhão, não é algo posterior.
    Pertence a economia do Pai todo o mistério da origem do mundo, a  toda caminhada histórica da humanidade e até mesmo a inconsciência da humanidade acerca da natureza trinitária de Deus. Deus como fonte única, escondida e misteriosa é parte integrante da Economia do Pai.
    Assumir a nossa procedência de Deus é assumir nossa filiação, por isso podemos nomear Deus como Pai, pois daí Ele surge como nossa origem e dá sentido a nossa existência.
    No processo de libertação também podemos ver Deus como Pai, pois o Pai escuta sempre o grito de seus filhos e por isso intervém na história para libertá-los, mas Deus Pai não age como um paternalista, pois, assim como lançou seu Filho Jesus a assumir a própria missão de construir o seu Reino, lança seus filhos no Filho igualmente.

    Paz e bem!

    O Espírito Santo transformador

    Créditos: postado por Ed Rocha

    O Espírito Santo terceira pessoa da Trindade é o mesmo que age na história, consideremos o Espírito como união na diversidade, comunhão, resumindo é Amor, além de ação e transformação.
    O Pai que sempre representa mistério insondável, o Filho que enraíza a Trindade na história humana devido nossa natureza ser totalmente assumida por Ele. O Espírito Santo dentro dessa dinâmica é o que age universalmente nos seres humanos.
    É a ação do Espírito que penetra a ação humana, potencializando-a e fazendo-a criadora, tornando-a agentes da história e não meros repetidores e mandatários de alguém superior e exterior.
    No processo histórico podemos ver a ação do Espírito todas as vezes que há a derrocada de um tipo de ordem, quando há a ruptura das tradições, no momento em que os pobres se conscientizam de sua opressão e se organizam contra ela, quando há a descoberta da cura de uma doença e por fim no instante que o homem se reconhece pecador.
    Em todas essas situações o Espírito Santo ganha rosto, exatamente por Ele ser considerado sem rosto.
    Vimos que o Espírito Santo atua na multiplicidade dos homens e mulheres e nos processos sociais mas é a Igreja o sacramento por excelência do Espírito Santo, pois , nela  vemos que se deriva o mistério da encarnação a estabilidade da instituição, a regra de fé e aqueles que rompem novos horizontes da fé. 
    Daí podemos compreender que sem a ação do Espírito Santo não existe Igreja, pois desfiguraria a imagem da Trindade, porque sem o Espírito Santo seria fácil a Igreja cair no autoritarismo, na dominação da verdade e na mera repetição do ritos. Todas as vezes que isso ocorreu no seio da instituição os homens presentes nela estavam fechados à ação do Espírito.
    O Espírito também age nos sacramentos, especialmente na Confirmação e na Eucaristia.
    Na Eucaristia o celebrante invoca o Espírito para que as palavras de Cristo que instituíram o sacramento ganhem eficácia divina, e por isso, nesse momento santo Ele manifesta a presença viva de Cristo na forma de Pão e vinho.
    Na confirmação além de necessária para consumação da graça batismal, os fiéis são vinculados mais perfeitamente á Igreja, pois enriquecidos de força especial do Espírito Santo torna-os verdadeiras testemunhas de Cristo, levando adiante a missão de Jesus a instauração do Reino de Deus. (CAT 1285).

    Paz e Bem