-->
Mostrando postagens com marcador Catequese. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Catequese. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de abril de 2014

A teologia do Cirío Pascal

Devemos partir do ponto fundamental que nos ajudará em nossa reflexão: O que é o Círio Pascal? O Círio é a magna vela que ocupará um lugar de destaque no lado direito (do presbitério para a entrada do templo), entre o altar e o ambão. Ele simboliza Jesus Cristo Ressurreto! Sua chama é retirada do fogo abençoado no meio da noite silenciosa do Sábado Santo. Uma vez que o pavio é aceso, seu fogo se torna em imagem de Jesus Cristo que disse: “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. (Jo 8,12)

            A simbologia que envolve o Círio é muito profunda, pois nele estão gravados sinais que nos ligam ao Mistério da criação do Universo, o tempo atual em que vivemos e o seu fim último. Este Mistério é representado nos números do ano em curso e nas letras do alfabeto grego rasgados sobre ele. Sobre esta simbologia o presidente da celebração reza:

Cristo ontem e hoje; princípio e fim; alfa e ômega; a ele o tempo e a eternidade; a glória e o poder; pelos séculos em fim. Amém.

            Antes de acender o Círio são cravados nele cinco grãos de incenso que significam as cinco chagas de Nosso Senhor que ao ressuscitar permanece com as marcas da crucifixão, mostrando assim que o corpo sacrossanto que ele traz consigo é o mesmo que nasceu de Maria – carne de sua carne e sangue do seu sangue –, padeceu e foi sepultado no túmulo de José de Arimateia (Jo 18, 38) após a sua morte de cruz. Na imposição dos cravos o presidente da celebração reza:

Por suas santas chagas, suas chagas    gloriosas, o Cristo Senhor nos proteja e nos guarde. Amém.

            Na procissão que fazemos, todos os presentes acompanham o andar do Círio, com suas velas no fogo novo, significando assim, que todos nós somos novas criaturas, banhados pelo sangue que Jesus derramou no calvário e iluminados pelo mesmo Senhor que retoma o seu Corpo Glorioso.

            Para o Círio é cantado o hino triunfal do “Exultet”! Já completo com os cravos e aceso com as chamas do fogo santo, no Círio aparece o próprio Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; Senhor de todas as coisas criadas e incriadas; Rei poderoso que esmagou com os pés o Inimigo das almas! Dele sai as chamas que resplandece todo o recinto sagrado no fulgor de suas luminárias. É este o sinal que abre a Solenidade da Ressurreição, da vitória da Luz sobre as trevas.
           
           
Uma vez introduzido o Círio no seu lugar que deverá ser fixo até a última Santa Missa do dia de Pentecostes, só sairá do seu lugar de destaque para ser imergido por três vezes na água batismal que será abençoada na mesma celebração do fogo. Terminado este rito, o Círio volta para junto do Ambão que nos remontará ao significado do sepulcro vazio e Cristo Ressuscitado de pé proclamando o seu Evangelho.

             Com a solenidade de Pentecostes, fechar-se o Tempo da Páscoa, o Círio é apagado. Este sinal sagrado é retirado do lado do ambão significando assim: uma vez educados na Escola Pascal do mestre Ressuscitado e cheios do fogo dos dons do Espírito Santo, agora, devemos ser nós, “Luz de Cristo”. Esta “Luz”, obrigatoriamente, deve-se irradiar, como uma coluna luminosa que passa no mundo, em meio aos irmãos, para guia-los no êxodo em direção ao céu, rumo a “pátria prometida” que é o Céu.




Normas a serem obedecidas


            Grande reverência e dignidade devemos dar ao Círio no Tempo Pascal. Mas, não só neste tempo! Durante todo o ano litúrgico o respeito lhe é tributado por direito de norma. Bom seria que o mesmo pedestal em que ele ficou fixado junto ao ambão, fosse o mesmo que o guardasse junto a pia batismal, após Pentecostes, para ser aceso somente no momento em que é conferido os Sacramentos do Batismo aos catecúmenos e do Crisma (confirmação); ou na sacristia, como acontece em muitas catedrais e paróquias.

            Atenção! No Tempo Pascal o Círio deverá ser aceso sempre nas celebrações eucarísticas, celebrações dos sacramentos, exéquias e nas orações da Liturgia das Horas. Concluído o Tempo Pascal, o Círio só deve ser utilizado, única e exclusivamente,  nas celebrações dos Sacramentos do Batismo e Crisma. Fora estes ritos, só é permitido o seu uso quando se está celebrando Missas de Exéquias com a presença do corpo na igreja ou em outro lugar dignamente apropriado.  

                  Sem a realização dos ditos sacramentos e das missas exequiais, está proibido pela Igreja o uso do Círio para todo e qualquer ato dinâmico e representativo. Exemplo: utilizar o Círio como adereço em ambientação de encontros formativos, reuniões, assembleias, etc, mesmo que seja para proporcionar uma reflexão!, Utilizar o Círio para ladear o Ambão fora do tempo pascal, em festa patronal (para representar Cristo Ressuscitado ali), etc. Pede-se que se utilize outras velas, menos o Círio Pascal.  
            Volto a repetir que o círio é PASCAL. Também Ele não foi feito pra ser usado como vela solitária do altar ou ficar o ano todo ao lado do ambão.

            Durante a permanência do Círio junto ao ambão, não tem necessidade de ladear o mesmo com as velas da procissão do Evangeliário, pois o Círio faz esta substituição magnífica. Não é proibido o uso dessas velas, pois, não há nada escrito que traz essa sanção, mas, utilizamos desse argumento para dar seu devido valor ao signo ali exposto.

            Mesmo estando presente o Círio no presbitério, sobre o altar deve-se colocar as velas:

O altar seja coberto ao menos com uma toalha de cor branca. Sobre ele ou ao seu redor, coloquem-se, em qualquer celebração, ao menos dois castiçais com velas acesas, ou então quatro ou seis,             quando se trata de Missa dominical ou festiva de preceito, ou quando celebrar o Bispo diocesano,             colocam-se sete. Haja também sobre o altar ou em torno dele, uma cruz com a imagem do Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz, ornada com a imagem do Cristo crucificado, podem ser trazidos na procissão de entrada. Pode-se também colocar sobre o altar o Evangeliário, distinto do livro das outras leituras.(Cf. IGMR 117)

            Muitos podem perguntar que fim deve-se dar ao Círio, caso já estamos neste ano e ainda sobrou o círio do ano passado. Aconselho retirar dele os cravos e deixa-lo consumir-se junto ao Sacrário, pois por falta de vela em nossas paróquias não vamos sofrer. O importante é não deixa-lo jogado por qualquer lugar. O raciocínio é lógico: o respeito a ele nós não devemos somente no tempo da Páscoa. Quer dizer que passando a Páscoa ele perde o valor da benção solene que lhe foi dada? Claro que não! 



O apagar do Círio Pascal





Oficialmente não há um ritual para apagar o Círio Pascal. Assim, traremos aqui as sugestões de Mons.Peter J. Elliott em seu excelente Ceremonies of the Liturgical Year According to the Modern Roman Rite.


Durante a conclusão da última Missa do Domingo de Pentecostes (ou das II Vésperas, onde esta é a última celebração litúrgica do dia), o Círio Pascal é levado ao batistério, perto da pia batismal.

Mons. Peter J. Elliott explica que a transferência do Círio (aceso) ao batistério acontece em procissão – durante o canto final ou antífona ou moteto apropriado –, da seguinte forma:

“Após a despedida, o incenso é preparado e abençoado. O diácono (ou, em sua falta, o celebrante) leva o Círio Pascal, e, precedido pelo turiferário, cruciferário e ceroferários (preferencialmente sem as velas), carrega-o até o batistério, onde é colocado em seu castiçal ou suporte. O celebrante pode incensá-lo com três ductos; então a procissão retorna à sacristia ou sala das vestimentas, como de costume. O Círio deverá ser apagado quando todo o povo tiver saído da igreja.”


Rito para Apagar o Círio Pascal 




Junto ao círio ainda aceso e faz uma breve introdução à liturgia da luz: 

Irmãos e irmãs, na noite na qual se  deu vida ao alegre tempo Pascal, o “dia de cinquenta dias”, no momento de acender o Círio, nós aclamamos a Cristo nossa Luz. E a luz do Círio pascal nos acompanhou nestes cinquenta dias e contribuiu não pouco a nos fazer recordar a grande realidade do Mistério pascal. 
Hoje, no dia de Pentecostes, ao fechar-se o Tempo da Páscoa, o Círio é apagado, este sinal nos é tirado, também porque, educados  na escola pascal do mestre Ressuscitado e cheios do fogo dos dons do Espírito Santo, agora, devemos ser nós, “Luz de Cristo” que se irradia, como uma coluna luminosa que passa no mundo, em meio aos irmãos, para guia-los no êxodo em direção ao céu, à “terra prometida” definitiva.
Veremos agora, no desenrolar do ano litúrgico, resplender a luz do Círio Pascal, sobretudo em dois momentos importantes do caminhar da Igreja: Na primeira Páscoa que viveram os  seus filhos com a recepção do Batismo, e por ocasião da última Páscoa, quando, com a morte, ingressarão na verdadeira vida.  
O cantor dirige-se ao ambão, e de lá canta as invocações a Cristo. 
Cantor: 
Cristo, Luz do mundo! 
Todos:
Demos graças a Deus! 
Sacerdote: 
Cantando, em reto tom estas e as demais invocações. 
Ó Sol da justiça, raio bendito, primeira fonte de luz, o ardentemente desejado, acima de tudo e de todos; poderoso, inescrutável e inefável; alegria do bem, visão da esperança satisfeita, louvado e celeste, Cristo criador, Rei da glória, certeza da vida/, preenche os vazios da nossa voz com a Tua Palavra onipotente, oferecendo-a como súplica agradável ao teu Pai altíssimo/. 
Cantor: 
Cristo, Luz do mundo! 
Todos: 
Demos graças a Deus! 
Sacerdote: 
Esplendor da glória do Pai, que difunde a claridade da verdadeira luz, raio da luz, fonte de todo esplendor/. Tu, dia que ilumina o dia, Tu verdadeiro sol, penetra com a tua luz constante e infunde nos nossos sentidos a chama do teu Espírito/.  
Cantor: 
Cristo, Luz do mundo! 
Todos: 
Demos graças a Deus! 
Sacerdote: 
Sois a lâmpada da casa paterna que ilumina com luz ardente/. Sois o sol da justiça, o dia que jamais escurece, a luminosa estrela da manhã/.  
Cantor:
Cristo, Luz do mundo! 
Todos: 
Demos graças a Deus! 
Sacerdote: 
Sois do mundo o verdadeiro doador da Luz, mais luminoso que o sol pleno, todo luz e dia/, ilumina os profundos sentimentos do nosso coração/. 
Cantor: 
Cristo, Luz do mundo! 
Todos: 
Demos graças a Deus! 
Sacerdote: 
Ó Luz dos meus olhos, doce Senhor, defesa dos meus dias, ilumina Senhor o meu caminho, pois sois a esperança na longa noite/. Ó chama viva da minha vida, ó Deus, minha luz/. 
Cantor:
Cristo, Luz do mundo! 
Todos: 
Demos graças a Deus! 
Coral: Hino Pascal “Cristo Ressuscitou” 


Terminado o Hino Pascal, o Sacerdote faz a inclinação ao Círio Pascal,  e o apaga. Depois, voltado para o povo, canta a oração. 


Digna-Te, ó Cristo, nosso dulcíssimo Salvador, de acender as nossas lâmpadas da fé; que em Teu templo elas refuljam constantemente, alimentadas por Ti, que sois a luz eterna; sejam iluminados os ângulos escuros do nosso espírito e sejam expulsas para longe de nós as trevas do mundo/.
Faz que vejamos, contemplemos, desejemos somente a Ti, que só a Ti amemos, sempre no fervente aguardo de Ti, Que vives e reinas pelos séculos dos séculos/. 
E toda a assembleia aclama, cantando:

Amém! Amém! Amém!
José Wilson Fabrício da Silva, crl


Bibliografia

CERIMONIAL DOS BISPOS, Paulinas, São Paulo, 1988;
INTRODUÇÃO GERAL SOBRE O MISSAL ROMANO, 4ª ed., Paulinas, São Paulo, 2011;
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, São Paulo, Loyola, 1993;

domingo, 2 de março de 2014

EVITAR EXAGEROS NA LEITURA BÍBLICA

Autor: Frei Gilberto Siqueira Alves, OFMCap.©

biblia
A Bíblia é a “Carta” de amor por excelência que Deus manifestou para a humanidade. Foi escrita por muitos autores que partiram da mesma fé, ou seja, muitas experiências bem peculiares relatadas em cada conjunto de livros: Pentateuco, Livros Históricos, Livros Sapienciais, Livros Proféticos, Evangelhos, Atos dos Apóstolos, Cartas Paulinas, Epístolas Católicas e o Livro do Apocalipse.

Temos aí o conjunto do Primeiro e Segundo Testamento. São situações permeadas e registradas à luz do Espírito Santo. Ao ser conservada a história do povo de Deus para nossos dias percebemos que também nós somos chamados à superação de tantas dificuldades que enfrentamos em nosso cotidiano. Mesmo que sejam muitas as provações Deus caminha conosco. Isso é fato! A Revelação de Deus à humanidade foi transmitida e registrada na Bíblia em dois estágios diferentes e complementares: Tradição oral e escrita. Tais experiências salvíficas não eram para ficar em um único período da história.Quando meditamos a Palavra de Deus nos transportamos para a situação vivida pela comunidade e nos indagamos acerca da mensagem que anima e estimula as pessoas. Rezar com a Bíblia é um dos presentes que devemos dar ao nosso coração. Como já dizia Santo Agostinho: “Vós o incitais a que se deleite nos vossos louvores, porque nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós”.[1]
É claro que esse processo de memória e escrita foi realizado na parceria de Deus com a humanidade. Por isso que chamamos história da salvação, dirigida a todos nós seus filhos e filhas, muitas vezes ingratos e insensíveis.
A prudente mediação divina nos orienta: quando lemos algo devemos estabelecer critérios para um melhor desempenho e assimilação do que nos é fornecido no texto e sua aplicação na nossa história. No campo religioso é de bom tom atitudes de oração, ruminação e assimilação das inquietações propostas no texto sagrado, sempre guardadas as devidas proporções. A partir dessas perspectivas vemos que quando a Palavra de Deus vem ao nosso encontro não cabe a nós guardá-la, mas socializar as benesses advindas de tão providencial gesto amoroso de Deus que nos quer cônscios de sua vontade e plenos de seu amor.
Estamos situados em uma determinada comunidade de fé. Para facilitar elencamos algumas modalidades de leituras a serem evitadas para não tirarmos a originalidade do texto sagrado, com suas respectivas intuições existenciais e pastorais para os dias de hoje.
1 - Leitura Fundamentalista: o texto genuinamente como se apresenta, literal
  • Só na Bíblia existe a ação única de Deus e pronto
  • Só nela existe o conjunto de verdades sobre Deus
  • De cunho anti-histórico, ou seja, tomado ao pé da letra sem a situação atual do seu contexto. Quando se fecha aos sinais de Deus no cotidiano. Se mostra anti-ecumênica.
Atitudes: alimenta o autoritarismo, cria clima sectário, fechamento e intolerância religiosa: Mt 12,46-50; Mt 13,53-58.
2 - Leitura Doutrinarista: o texto usado para justificar normas religiosas
  • Busca de doutrinas religiosas que eu preciso saber para me salvar
  • Imagem de Deus racional, regulador, alguém impositivo
  • Exacerbada preocupação em saber o que é a doutrina
  • Primeiramente a “doutrina” e depois a vida humana
Atitudes: a Bíblia se torna elemento de salvação de um grupo apenas, zelo exagerado pelas normas religiosas,esse tipo de mentalidade pode gerar hipocrisia e de certeza única: Lc 6,1-5; Jo 8,57-59; (Jo 10,22-39).

3 - Leitura Moralista: o texto para fins de julgamentos externos
Visão reducionista da realidade: boa ou má
A Bíblia como manual de conduta religiosa que todos os cristãos devem observar para não se condenarem
Atitudes: a imagem de Deus é como alguém: rígido, castigador, fiscal. Condenar / salvar. Isso gera deturpação dos valores: Lc 5,27-32; Mt 9,9-13; (Mc 3,1-5).

4 - Leitura Intimista: o texto exclusivamente à luz de minha experiência “mística”
  • Prevalecimento exagerado do sentimento pessoal
  • Vontade direcionada através do seA catequese católicantimentalismo sem senso de razoabilidade
Atitudes: minha imagem de Deus é triunfalista, light, sou o centro do amor de Deus,visão única e pessoal de Deus. “Ele me revelou…” Mt 17,4.

5 – Leitura Academicista: Justificar conhecimento intelectual ou defender racionalmente um ou vários pontos de vista que me agrada
  • A Bíblia como fonte de conhecimento intelectual apenas
  • Racionalização do religioso em detrimento do espiritual
  • Tirar dúvidas e satisfazer curiosidade intelectual para justificar algo
Atitudes: limites sérios para atualizar a Palavra de Deus, Bíblia como elemento prático, objetivo, mentalidade subjetiva ou conceitual da realidade: Mt 11,25-26.

PERGUNTAS PARA MEDITAÇÃO PESSOAL:
Minhas leituras bíblicas são condicionadas por alguma dessas maneiras?
A meditação nos faz colocar a caminho do que Deus pede de nós. Conseguimos fazer essa meditação diária?

Leia também:


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Semana catequética 2014 - Tema: Igreja: casa de iniciação à vida cristã - 17 à 21 de fevereiro

Nesta semana inicio-se a Semana catequética na Região Episcopal Belém - Arquidiocese de São Paulo.
A Semana está organizada por grupos de setores conforme abaixo:
Encontro para Catequistas dos Setores Conquista, São Mateus e Sapopemba dias 17 e 18/02/2014 na Paróquia São Mateus Apóstolo e o encontro para os catequistas dos setores, Belém, Guarani, Antonieta, Tatuapé, Carrão-Formosa, Vila Alpina e Vila Prudente no Centro Pastoral São José.
No dia 21/02/2014 os dois grupos se encontrarão no Centro Pastoral São José para o encerramento da Semana Catequética. Todos os encontros estão sendo realizado nos horários das 19:30 às 21:30.
O tema "Igreja: casa de iniciação à vida cristã" que está sendo trabalhado nesta semana catequética segue a segunda urgência do 11º Plano Pastoral da Arquidiocese de São Paulo.
Há a necessidade de desenvolver em nossas comunidades, um processo de iniciação a vida cristã que conduza a um encontro pessoal cada vez mais profundo com Jesus Cristo.
Para auxiliar nesse caminho, a Equipe de animação bíblico-catequético da Arquidiocese de São Paulo elaborou um subsídio que recorda os fundamentos básicos da iniciação à vida cristã, em seus conteúdos e metodologia e indicando diretrizes pastorais para sua implementação.
Para você ter em mãos este subsídio clique aqui.

Leia também:



domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Palavra de Deus, fonte da catequese

Nós brasileiros temos o grande orgulho de ter em nosso território grande parte do Rio Amazonas. Quem já navegou nas águas do Rio Amazonas teve a oportunidade de conhecer uma das regiões de maior biodiversidade do planeta. E a grandeza desse rio não para por aí,  também é o maior rio do planeta em volume de água, representando 20% de toda a água doce do Planeta. Em 2007 ganhou o título de maior rio do mundo em extensão, com quase 7000 km e ainda chega a 100 m de profundidade e sua  foz possui a largura de aproximadamente 274 km.
Poderia dizer muito mais sobre o  rio Amazonas, creio que para isso seria melhor um livro, mas a minha intenção é chamar a atenção no fato de que a grandiosidade  do Rio Amazonas tem uma origem, uma fonte, que no seu caso está localizado nos Andes Peruanos.
Veja! De uma pequena fonte nas montanhas peruanas o Rio Amazonas transforma-se em um volume de água tão grande que corresponde à quinta parte da água jogada no mar por todos os rios do mundo. De sua pequena fonte é gerado Água viva, que leva vida ao planeta inteiro. Podemos dizer que é uma fonte que nunca se seca, e isso me faz lembrar do Evangelho em que Jesus se encontra com a Samaritana e que na primeira parte do diálogo entre eles tem como pano de fundo a água,  dando conotação ao Espírito Santo  que Cristo nos envia que  sempre gera vida e que sacia a sede humana a vida toda, é este Espírito fonte de vida que também  torna o homem fonte de água viva jorrando até a vida eterna (Jo 4,14). 
Jesus que se revela à samaritana como aquele que sacia a sede para sempre e logo em seguida mostra-se como o Messias esperado por ela, torna-a fonte de anúncio de sua Palavra, a qual muitos samaritanos por meio dela creram nele (Jo 4, 39). Pela anúncio da Samaritana despertou a fé  em Jesus nos samaritanos, hoje, o anúncio de Jesus se faz por meio da Palavra de Deus, ou seja, através da leitura da Bíblia, pois é na Palavra que Cristo se revela como Salvador, por isso a fonte na qual a Catequese busca sua mensagem é a Palavra de Deus (DNC 106).
A Catequese tem como tarefa  proporcionar a todos o entendimento claro e profundo  de tudo  o que Deus quis nos transmitir (DNC 26) mas este serviço só acontece quando o Catequista mantém contato íntimo com as Escrituras, mediante leitura assídua quer seja através da Sagrada Liturgia, pelo estudo apurado ou pela leitura espiritual (DV 25).
A Leitura espiritual ou leitura orante é uma das formas mais valiosas de vivenciar a Palavra de Deus seja no âmbito pessoal ou comunitário. A Leitura orante nos é apresentada em diversos modos mas, mais ou menos, todos eles apresentam o mesmo desenvolvimento nos quatro momentos: leitura, meditação, oração e contemplação. A leitura orante da Bíblia alimenta nas pessoas a escuta atenta à Palavra e o diálogo filial com o Pai (DNC 111). 
Mas para que não haja o risco de a leitura orante tornar-se uma abordagem individualista, mesmo sendo a Palavra dirigida a cada um pessoalmente , é também uma Palavra que constrói comunidade, que constrói a Igreja, por isso é muito importante a leitura comunitária (VD 87).
Por isso a Catequese precisa assumir essa forma inestimável de experimentar o amor de Deus por meio da sua Palavra, perpassando pela experiência vivida pelo catequista e tornando presente na vida dos catequizandos.
Mas, como fazer a leitura orante?
Segue algumas dicas que poderão ajudar-nos na vivência de uma leitura espiritual da Palavra de Deus.

LEITURA
1 - Escolher o texto ( podemos utilizar a leitura do dia como reflexão).
2 - Rezar ou cantar, pedindo a luz do Espírito Santo.
3 - Ler e reler o texto.

MEDITAÇÃO
4 - Analisar o texto e situá-lo em seu contexto de origem. Como Deus se revelou ao povo: personagens, lugar, quando e como Deus aparece no Texto.
5 - O sentido do texto para nós: ligar a Bíblia e a vida. Analisar o texto para hoje ( em silêncio, abrir-se ao Espírito Santo e deixar que Ele nos fale. O que Ele quer de nós).

ORAÇÃO
6- Rezar o texto: o que o texto nos leva a dizer a Deus, ou seja, interiorizar o texto e falar com o próprio Deus (escuta, agradecimento, súplica)

CONTEMPLAÇÃO
7- Contemplar é comprometer-se: é olhar a realidade com os olhos de Deus. Senti-lo com o coração de Deus e assumir um compromisso diante da realidade. Prestar atenção ao mistério e ver qual versículo mais tocou ( memorizá-lo ou escrevê-lo).

Veja, que a Leitura orante além de tornarmos íntimos de Deus, aproxima a catequese da liturgia, evitando, que sejam realidades diferentes, desta maneira bebemos do amor de Deus cuja a fonte é Jesus e que pela ação do Espírito dispensado por Ele nos tornamos fontes jorradoras do seu amor sempre crescendo e evoluindo como um grande rio.

Siglas
DNC -Diretório Nacional de Catequese/CNBB
DV - Dei Verbum
VD - Verbum Domini

Leia também:
Só se salva e ganha a vida eterna quem aceita Jesus?
Catequese, alegria do Evangelho
Fé, resposta humana a Deus

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Catequese, Alegria do Evangelho

No final do ano passado o Papa Francisco trouxe a todos os católicos uma pérola preciosa que objetiva a missão de Evangelizar com Alegria. Mesmo com os percalços da caminhada o anúncio do Reino de Deus nunca deve cair no desânimo, tristeza e lamúria. Esta pérola é a Exortação Apostólica Evangelii gaudium, a alegria do Evangelho. O documento é fruto da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, que reuniu 170 bispos do mundo inteiro em Roma em outubro de 2012.
Nesta exortação o Papa enfatiza que além do encontro e do diálogo, os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho “sem excluir ninguém, não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria".
O Papa Francisco diante do anúncio do Evangelho não descarta o crescimento da fé, pois é consequência do anúncio germinar um caminho de formação e amadurecimento.
É neste contexto que ele insere a catequese como serviço de crescimento da fé, devido seu  o papel fundamental  ser o primeiro anúncio ou querigma. É o catequista responsável por fazer ressoar o primeiro anúncio, que consiste em testemunhar que Deus nos ama, a partir de Jesus Cristo, que com sua vida, morte e ressurreição, nos revela e comunica o amor do Pai e o Espírito Santo é o que nos faz crer nessa verdade.
Mas o Papa não para por aí, e exorta que o querigma por designar-se como primeiro anúncio, durante o processo catequético não deve ficar esquecido lá trás, mas que de uma forma ou de outra sempre tem que voltar durante a catequese.
Isso porque nada é mais sólido, profundo e seguro que o anúncio do querigma, e que toda formação nada mais é do que o aprofundamento do querigma que sempre é luz na tarefa catequética e permite compreender adequadamente qualquer tema desenvolvido na catequese.
A centralidade da catequese no querigma faz com que haja a superação de uma catequese fundada somente na doutrina, na qual muitas vezes leva à uma imposição da verdade em  uma catequese que exprime o amor salvífico de Deus conduzindo o catequizando a uma adesão à Cristo por meio da liberdade gerando uma vivência do Evangelho pautada na alegria, entusiasmo, abertura ao diálogo e comunhão.
O Papa Francisco cita outra característica da catequese que é a iniciação mistagógica que consiste na percepção de Deus como transcendente e absoluto, que está além da razão, mas, que misteriosamente está presente em nosso meio e no nosso coração. Por isso o processo mistagógico deve conduzir o catequizando à uma renovada valorização do sinais litúrgicos da iniciação cristã.
Sendo o encontro catequético centrado na Palavra e anúncio dela é necessário a ambientação adequada e uma motivação atraente dos símbolos para o crescimento e integração de todas as dimensões do catequizando num caminho comunitário de escuta e resposta.
Outra dimensão catequética citada pelo Papa é a "via da beleza" que consiste em mostrar que crer em Cristo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo. Nesta perspectiva, o uso da beleza é condição para que a verdade e a bondade do Ressuscitado possa resplandecer no coração do catequizando.
É desejável que cada Igreja dentro da sua realidade incentive o uso das artes evangelizadoras, interligando o passado com o presente renovando a linguagem da fé em uma nova linguagem.
A transmissão da Palavra no âmbito da beleza é inspiração para o catequista para que tenha coragem de encontrar novos sinais e novos símbolos para o anúncio da Palavra nas diversas esferas culturais mesmo que para o catequista o sinal de beleza lhe pareça pouco significativo, mas é particularmente atraente para os outros.
Francisco conclui que a proposta da catequese é um convite ao crescimento da fé de modo que o Evangelho se torne um estilo de vida, é o catequista o  guardião do bem  e da beleza  e mensageiro alegre dessa proposta que resplandece de sua própria vida.

Fonte: EG. 160-168

Redação: Ed Rocha

Leia também:
Espiritualidade do Catequista
Catequista: protagonista da fé, esperança e amor
Ser catequista


Semana Catequética Região Belém - Arquidiocese de São Paulo

O Grupo de Animação Bíblico Catequético de Pastoral da Região Episcopal Belém anuncia a Semana Catequética, em resposta ao projeto arquidiocesano de iniciação à vida cristã, e convida você, catequista, para participar!
Grupo de Animação Bíblico Catequético de Pastoral
A Semana está organizada por grupos de setores, conforme abaixo. Informe-se!
Encontro para catequistas dos Setores Conquista, São Mateus e Sapopemba

Dias: 17 e 18/02/2014

Horário: 19h30 às 21h30

Local: PARÓQUIA SÃO MATEUS APÓSTOLO
Encontro para catequistas dos Setores Belém, Carrão-Formosa, Tatuapé, Guarani, Vila Alpina, Vila Prudente e Antonieta

Dias: 19 e 20/02/2014

Horário: 19h30 às 21h30

Local: CENTRO PASTORAL SÃO JOSÉ
Encerramento da Semana Catequética

Dia: 21/02/2014

Horário: 19h30 às 21h30

Local: CENTRO PASTORAL SÃO JOSÉ

Leia também:

Empapados em Cristo
Ser Catequista
Catequista: protagonista da fé, do amor e da esperança


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Lançamento! Palavra de Deus, fonte de catequese



A Comissão Episcopal para a Animação Bíblico Catequética da CNBB tem a grande alegria de lançar: A PALAVRA DE DEUS FONTE DA CATEQUESE. Trata-se do Nº 6 da Coleção "À Luz do Diretório Nacional da Catequese" . Este livro é fruto do esforço que a Comissão faz em proporcionar subsídios para o aprofundamento na formação de nossas lideranças, especialmente catequistas.

Convidamos a todos(as) a saborear o conteúdo simples e ao mesmo tempo profundo deste livro.

Adquira já o seu clicando Aqui!



Pe. Décio José Walker
Assessor Nacional da Comissão Episcopal para a Animação
Bíblico Catequética

Leia também:

Ecumenismo, eclesiologia de comunhão
Fé, resposta humana a Deus
Empapados em Cristo

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Espiritualidade do Catequista

Existe uma nova e ampla reestruturação  que visa oferecer reflexões em torno dos mais diversos aspectos do processo bíblico-catequético que vivemos na Igreja nestes 50 anos pós-Vaticano II. Sem dúvida, um aspecto muito abordado pelos documentos produzidos neste tempo é a questão da “espiritualidade da(o) catequista.

O Diretório Geral da Catequese proclama: “A verdadeira formação alimenta, sobretudo, a espiritualidade do próprio catequista, de maneira que a sua ação nasça, na verdade, do testemunho de sua própria vida. Todo tema catequético que transmite deve alimentar, em primeiro lugar, a fé do próprio catequista. Na verdade, catequizam os demais, catequizando primeiramente a si mesmos” (DGC 239).

Esta perspectiva  tão clara e bonita que o Diretório Geral propõe, nos anima a fazer  uma reflexão semanal sobre esta temática. Para iniciar, porém, queremos fazer, por primeiro, a pergunta básica: O que é “espiritualidade”?Usamos com freqüência as expressões: experiência espiritual, caminho de espiritualidade, vida espiritual, caminho de santidade. São todas formas de falar da mesma realidade que na Bíblia é expressa por “Vida Segundo o Espírito” cujo fruto é a santidade (cf. Rm, 6,22; Gl 5,22). Segundo o Apóstolo Paulo trata-se de um dinamismo que suscita em cada batizado o seguimento de Jesus Cristo no caminho das Bem-aventuranças, na escuta e meditação da Palavra de Deus, na consciente e ativa participação da vida litúrgica e sacramental, na oração pessoal, na fome e sede de justiça, na prática do mandamento do amor em todas as situações da vida, no serviço aos irmãos, especialmente aos pequenos, pobres e excluídos da sociedade(cf. Lc. 16).Podemos dizer, então, que espiritualidade é a própria vida cotidiana animada pelo Espírito. Não pensemos logo em grandes arroubos espirituais que são atribuídos a grandes místicos(as) na Igreja. Na língua hebraica para falar em espírito se usa o termo Ruáh que significa sopro, vento, para dizer que é uma força que age provocando uma reação vital que brota do íntimo do ser humano e o faz entrar em sintonia com o próprio Criador e o projeto da Nova Criação que Cristo inaugurou, o Reino de Deus.Cultivar uma espiritualidade cristã é meta de todo batizado, mas o ministério da catequese necessita de uma vivência espiritual específica, com características próprias.
Pe. Décio José Walker – Assessor Nacional da Comissão Episcopal Pastoral Bíblico-catequética

Postado por :http://catequeseebiblia.blogspot.com.br

Leia também:



  • A Revelação se dá por palavras e acontecimentos

  • Ídolos, construção humana

  • Empapados em Cristo



  • sábado, 4 de janeiro de 2014

    Catequese que educa para o diálogo

    Este é um texto de Therezinha M. L. da Cruz, autora de diversos livros na área de ensino religioso e catequese, a qual  chama atenção para o diálogo ecumênico como processo educativo a ser desenvolvido na catequese. É um ótimo texto que nos faz refletir sobre essa realidade tão esquecida na catequese.

    A Igreja tem insistido na ideia de pastoral de conjunto. Ser Igreja é ser comunidade. O "eu creio" não é vivido de modo isolado em relação ao "nós cremos". Dentro da comunidade há sensibilidades, diferentes, talentos específicos, preferências por modos de viver a espiritualidade de acordo com as necessidades e estilos de cada um. Tudo isso precisa ser desenvolvido num processo que saiba articular diversidade e unidade e desta forma estaremos unidos na adesão a Jesus, na ação de promoção dos valores do Reino, na colaboração mútua que vai fazer a comunidade uma visível família fraterna.
    Dentro dessa unidade devemos ser preparados para valorizar a diversidade e possibilitar a partilha de talentos e experiências que enriquecem nossa visão do compromisso cristão. É um péssimo testemunho não saber ouvir o diferente e tentar enquadrar todos e todas numa forma estreita que não permita que cada um seja conhecido e estimado na sua individualidade.
    Por tudo isso, a catequese tem que ter como método de trabalho, entre outras coisas, a espiritualidade do diálogo. A Igreja insiste na ideia de diálogo especialmente nos textos onde se fala de missão, ecumenismo e diálogo inter-religioso. É fácil perceber como esses campos precisam de pessoas capazes de ouvir o outro, de reconhecer qualidades que não costumam ser suas, de dar e receber no convívio com o diferente.
    Em 1998, uma comissão formada por católicos e evangélicos, numa ação do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), produziu uma cartilha com o título Diversidade e comunhão um convite ao ecumenismo. A cartilha apresenta a espiritualidade do diálogo como instrumento gratificante para construir com alegria um mundo melhor. O texto diz: "bem-aventuradas as pessoas que cultivam as qualidades necessárias à vida cristã ecumênica". E essas qualidades são todas relacionadas à capacidade de entrar em diálogo sincero, não manipulador, com o outro: " Entre elas estão: o respeito ao direito alheio, a paciência, a humildade na busca da verdade, a caridade fraterna, a lealdade, o espírito de serviço, o amor prioritário aos valores do Reino, a solidariedade, o espírito de oração, o entusiasmo pela paz, a capacidade de discernir o bem onde quer que ele se encontre, a ternura pelos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai. Agora imagine uma pessoa com todas essas qualidades. Será eficiente na vida cristã ecumênica, mas será também, por acréscimo, um ser humano melhor em todos os sentidos."
    O que a cartilha aplica ao ecumenismo vale, portanto, para todas as áreas da vida humana, mesmo fora da Igreja. Uma verdadeira capacidade para o diálogo enriquece a vida na família, na vizinhança, no local de trabalho, na comunidade e na sociedade em geral. Fica difícil construir um mundo novo e fraterno, sem capacidade para ouvir e valorizar o outro, com discernimento, é claro, mas principalmente com abertura para partilha, com respeito e com uma sincera valorização do diferente como alguém amado por Deus.
    A catequese é o grande processo de formação. Ela não é apenas ensino de doutrinas, ela é um chamado para que cada um valorize seus dons e os dons de outros, porque todos nós somos obras de um grande artista. Jesus sabia ouvir, entrava em diálogo e com isso fazia as pessoas terem vontade de ser sempre melhores. Seguindo o Mestre, ouvindo e sendo ouvidos, descobriremos a grande alegria de ter sempre mais parceiros, amigos, colaboradores na construção de um mundo melhor. 

    Por Therezinha M. L. Cruz


    Leia também:


  • Empapados em Cristo

  • Ser catequista

  • A revelação se dá por palavra e acontecimentos
  • segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

    Deixar as crianças brincarem na igreja durante a missa: é certo?

    Talvez as crianças atrapalhem, mas a comunidade deve incentivar a participação de toda a família


    Há pais que deixam as crianças correrem pela igreja durante a missa e brincarem no meio dos bancos. Para esses pais, é válida essa missa apesar da distração (que, aliás, afeta a comunidade toda)?

    Quem responde a esta pergunta de um leitor é o pe. Valerio Mauro, professor de Teologia Sacramental na Faculdade Teológica da Itália Central.

    A participação das crianças na missa é uma questão delicada, porque envolve muitos aspectos da vida eclesial. O sacramento da eucaristia exige um singular respeito e uma participação plena e ativa dos batizados, como o concílio nos recorda. O magistério apresenta a família como "igreja doméstica" e defende o seu valor único para a sociedade civil.

    Toda a comunidade eclesial, na fidelidade às palavras de Jesus, é chamada a deixar que “as crianças venham até ela”. Temos valores que não podem entrar em contradição, mas as suas urgências acabam entrando. A pergunta do leitor nos coloca diante de um dilema prático. Vamos olhar para alguns fatos da nossa realidade: nas paróquias, é cada vez menor a presença de famílias jovens e, portanto, de crianças pequenas.

    A nossa liturgia não foi feita à medida da criança, não se desenrola de acordo com uma comunicação e linguagem adequada para elas, nem poderia. No entanto, a missa tem uma dimensão de mistério que envolve todos nós como povo de Deus, arrebatando-nos da tentação do individualismo ou da satisfação emocional: nela, nós vivemos um encontro da graça, oferecido a todo batizado num momento comunitário. A teologia nos diz que, na celebração eucarística, o Espírito Santo não transforma só o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, mas age na própria comunidade para torná-la cada vez mais o Corpo no Senhor.

    Se os pais participassem da missa em horários diferentes, eles poderiam cuidar das crianças por turnos em casa, mas será que é oportuno que as famílias, especialmente as mais jovens, se dividam justamente na hora de participar desse momento de fé comunitária? E as crianças levadas à missa podem viver esse momento sempre de boca fechada e quietinhas? Eu acho que precisamos procurar o equilíbrio, que só é possível caso por caso, comunidade por comunidade, conforme as diversas circunstâncias concretas, a começar pela estrutura de cada igreja.

    Nem todas as igrejas têm a mesma arquitetura. Em algumas, foi possível criar lugares para as crianças brincarem sob a vigilância dos pais, o que, para muitos, foi a melhor solução. Em outras igrejas, não é possível criar essas condições: nelas, os pais que levam os filhos à missa tentam fazer as crianças se sentirem à vontade, o mais serenamente possível.

    A igreja é a casa de todos: temos que partir desta certeza. Então vamos deixar as crianças brincarem na igreja? Para a criança, brincar não é só uma diversão, mas o principal modo de se comunicar com o mundo e de, gradualmente, adquirir conhecimento. Brincando, as crianças aprendem também a linguagem da fé. Se elas aprendem durante a celebração mantendo certo silêncio, embora não o tempo todo, eu, pessoalmente, não me incomodo. Mas sei que, para alguns outros sacerdotes, não é assim. E respeito a sua sensibilidade litúrgica.

    Quanto à pergunta específica do nosso leitor, os pais, de acordo com ele, se distrairiam com o comportamento dos filhos. E não só eles, pode-se acrescentar. Eu não acho, porém, que a discussão deva girar em torno da “validade jurídica” da participação na missa. Durante a celebração, as crianças podem incomodar alguns, é verdade. Por outro lado, as nossas comunidades eclesiais não deveriam favorecer ao máximo a presença completa das famílias? E será que o mistério de Deus é tão distante assim da vida real dos menorzinhos dentre os nossos irmãos? Talvez seja uma “deformação profissional”, mas, quando a discussão se volta para a validade da celebração eucarística, eu não consigo deixar de pensar nas palavras que o apóstolo Paulo dirigiu à comunidade de Corinto: "A vossa ceia não é a ceia do Senhor" (1 Co 11,20), porque eles celebravam a eucaristia num contexto de profunda desigualdade, com divisões cheias de invejas.

    As nossas celebrações eucarísticas são, em primeiro lugar, a reunião do povo de Deus, chamado a ouvir a sua Palavra e a participar do seu Corpo entregue por nós. Através dessa altíssima oração da Igreja, nós nos tornamos cada vez mais uma coisa só no Espírito de Cristo. Vamos conservar na mente esse dom original da graça: assim saberemos construir as melhores condições para vivê-lo juntos.


    postado por: http://www.aleteia.org

    Leia também:


  • Empapados em Cristo

  • Trindade

  • A Economia do Pai